Não ter
o último dente
facilita
na hora de passar
o fio
mas o sorriso
mesmo quando esguio
sem o ciso
fica indiferente
agora sou
cosmopolita
Em minha boca
há um buraco
e minh'alma
se mantém ardente
borbulha
com a lembrança
agora oca
que atravessa o oceano
neste início de ano
e viaja da França
até meu barraco
lá na Pampulha
Sem lar
Sem amigos
Sem amor
Sem dente
Não terei
portanto
por ter sido
prudente
problemas bucais
mas serei
no entanto
acometido por
problemas menos
banais
mais mundanos
esses da mente
que vive e sente
sofre
e tem tanta
saudade
daqueles tempos
veementes
antes e depois
onde eu tinha
os amigos
e amores
e o lar
e todos
os trinta e dois
dentes
domingo, 13 de janeiro de 2008
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