quarta-feira, 23 de abril de 2008

nadanadanada

A folha branca e tingida
Olha para mim, ansiosa
Almeja ser preenchida
Com poesia garbosa

Mas eis que nela não há
Nada nada, na danada
Coisa alguma se passa
Nesta cabeça devassa

A folha me olha
E seu olhar retribuo
A mesma questão
Anda daqui para lá
E também em reverso
O que farei?
O que fará?
Nada me vem, nada me dá

Nada na danada

Chove e lá fora
A folha se molha
Seu molhar retribuo
A mesma umidade
Recuo uma unidade
Avanço uma idade
Esvai-se a vontade

Na danada nada

Olho ao lado
Não estou no clima
Falta-me a inspiração
E também a rima
Onde andarão?

Nada nada nada

Talvez visitem, num rompante
Mente, corpo e letra
De outro poeta eminente
Que agora passa facilmente
Por um verso cortês
Critica o porco burguês
E se faz assim galante

Talvez voltem, talvez não
Rima, inspiração
E aquele estado que vem
Quando poesia fazemos e
Sentimos e
Somos e
Nos entregamos e
Explodimos e
Expressamos e
Vivemos e
Amamos e
Ficamos plenos do estado
Que caracteriza
Assim tão bem
Esse curioso
Ser humano

segunda-feira, 21 de abril de 2008

Na palestra

A garota de óculos
Que vem do Irã, talvez
Finge que presta atenção no inglês
Mas vira de lado
Faz boquinha de ósculo
E confere se eu
Tarado, a confiro

Confiro sim posto que
É linda e tem no rosto
Charmosa pinta

Agora não mais me olha
Pescoço à frente
À palestra, finge que adora
Mas sei que o meu olhar
Mesmo de costas, ela sente
(Pela pose se percebe)

Continua com o desdém
Terá me esquecido?
Ou fingirá à outroguém
(Que a percebera em torpor
Interessada, mas não na ciência)
Que não realiza a caçada
Por um grande amor

Ora, todos sabem e vêm
Que para a mulher
Não há maior bem
Do que imaginar alguém
Para se ter um neném

And if you want to
You can dream on me
Já diria o Rolling Stone