Às vezes tenho vergonha do que escrevi, às vezes tenho orgulho.
Às vezes acho engraçado ou curioso o que descrevi ou inventei, às vezes acho massante ou insosso.
Quando me leio, às vezes mal me reconheço, e às vezes me reconheço por inteiro.
Às vezes me acho brilhante e às vezes me acho tão bobinho...
Algumas vezes acho podre, outras vezes acho belo.
Às vezes me penso forte e às vezes me penso vazio.
Às vezes tenho aquela convicção de que o que escrevi deveria ser passado para toda a humanidade, outras vezes acho melhor jogar tudo fora e fingir que nunca nada daquilo existiu.
Às vezes sinto-me um grande poeta, noutras fico convicto de minha própria charlatanice.
Sempre que me leio lembro de alguém, de alguma situação que estava ocorrendo na época em que escrevi. Mas às vezes isso não acontece.
Às vezes leio-me com a razão ligada, às vezes permito ler-me em toda emoção.
Às vezes leio-me tal qual verso, e às vezes leio-me enquanto prosa.
Às vezes sinto minha naturalidade real e pulsante quando leio o que escrevi, às vezes percebo com clareza minhas repressões e limitações.
Muitas vezes leio-me livre, poucas vezes leio-me preso.
Às vezes não gosto de me ler, mas normalmente gosto e esta é minha principal motivação para continuar escrevendo.
terça-feira, 26 de outubro de 2010
domingo, 5 de setembro de 2010
Extrapolações sobre o macaco filosófico
À meia-noite de um dia de primavera, um macaco anda sem direção
A chuva cai lenta e suavemente pela selva
Ele olha para as plantas em profusão e percebe o bem que a água lhes faz
Leve tormenta, tenta e cai
O primata estende-se enquanto anda
Abre os braços, pensa-se planta
Agora é a água também seu esplendor
É macaco ou é planta?
Deixa-se molhar, o animal-vegetal
Está em plena natureza com a sintonia
O macaco é a natureza é o macaco
Ele volta então, sua atenção
E para os céus, olha com curiosidade
Observa no alvoroço das luzes cintilantes, a mais linda das beldades
Uma constatação em constelação
Seus pontos, a viajar desde as mais longínquas distâncias
Desde as mais remotas idades
Interpretadas por seu caco, cérebro macaco
Tentação estelar
As luzes piscam humildes
Há o retrovisor d'astro rei
Que naquela noiteua pareciaua bem ajustadoelho
Astro espelho
E por isso mesmo, reluzia imponente
A luz ardente de milhões de bombas de hidrogênio
Ocupando grande acre, lugar de destaque
No pretume pontuado da abóbada celeste
Do hemisfério sul
O macaco gosta da noite
Não se sente mais ameaçado ou afoito
Como seus ancestrais
Caco tomou conta do mundo
E agora não teme mais nada
Exceto a maca, os ais, e medo do próprio
O macaco da noite, há calma
O macaco da chuva, há alma
O macaco está tranqüilo e filosófico
O macaco sou eu
==
Este poema conecta-se, intertextualmente, à crônica O macaco filosófico.
A chuva cai lenta e suavemente pela selva
Ele olha para as plantas em profusão e percebe o bem que a água lhes faz
Leve tormenta, tenta e cai
O primata estende-se enquanto anda
Abre os braços, pensa-se planta
Agora é a água também seu esplendor
É macaco ou é planta?
Deixa-se molhar, o animal-vegetal
Está em plena natureza com a sintonia
O macaco é a natureza é o macaco
Ele volta então, sua atenção
E para os céus, olha com curiosidade
Observa no alvoroço das luzes cintilantes, a mais linda das beldades
Uma constatação em constelação
Seus pontos, a viajar desde as mais longínquas distâncias
Desde as mais remotas idades
Interpretadas por seu caco, cérebro macaco
Tentação estelar
As luzes piscam humildes
Há o retrovisor d'astro rei
Que naquela noiteua pareciaua bem ajustadoelho
Astro espelho
E por isso mesmo, reluzia imponente
A luz ardente de milhões de bombas de hidrogênio
Ocupando grande acre, lugar de destaque
No pretume pontuado da abóbada celeste
Do hemisfério sul
O macaco gosta da noite
Não se sente mais ameaçado ou afoito
Como seus ancestrais
Caco tomou conta do mundo
E agora não teme mais nada
Exceto a maca, os ais, e medo do próprio
O macaco da noite, há calma
O macaco da chuva, há alma
O macaco está tranqüilo e filosófico
O macaco sou eu
==
Este poema conecta-se, intertextualmente, à crônica O macaco filosófico.
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