À meia-noite de um dia de primavera, um macaco anda sem direção
A chuva cai lenta e suavemente pela selva
Ele olha para as plantas em profusão e percebe o bem que a água lhes faz
Leve tormenta, tenta e cai
O primata estende-se enquanto anda
Abre os braços, pensa-se planta
Agora é a água também seu esplendor
É macaco ou é planta?
Deixa-se molhar, o animal-vegetal
Está em plena natureza com a sintonia
O macaco é a natureza é o macaco
Ele volta então, sua atenção
E para os céus, olha com curiosidade
Observa no alvoroço das luzes cintilantes, a mais linda das beldades
Uma constatação em constelação
Seus pontos, a viajar desde as mais longínquas distâncias
Desde as mais remotas idades
Interpretadas por seu caco, cérebro macaco
Tentação estelar
As luzes piscam humildes
Há o retrovisor d'astro rei
Que naquela noiteua pareciaua bem ajustadoelho
Astro espelho
E por isso mesmo, reluzia imponente
A luz ardente de milhões de bombas de hidrogênio
Ocupando grande acre, lugar de destaque
No pretume pontuado da abóbada celeste
Do hemisfério sul
O macaco gosta da noite
Não se sente mais ameaçado ou afoito
Como seus ancestrais
Caco tomou conta do mundo
E agora não teme mais nada
Exceto a maca, os ais, e medo do próprio
O macaco da noite, há calma
O macaco da chuva, há alma
O macaco está tranqüilo e filosófico
O macaco sou eu
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Este poema conecta-se, intertextualmente, à crônica O macaco filosófico.
domingo, 5 de setembro de 2010
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