segunda-feira, 6 de outubro de 2008

Ah, Vinícius...

Não!

Eu não os escrevo
Só para você
Estes azedos
Poemas

Mas aqueles
Onde você
Aparece
De uma
ou Outra
ForMa
São os mais belos
Quase doces

Queria escrevê-los
Transcrevê-los-ia
Domeueulírico
Todos
E muitos
Mais até
Passado, presente, futuro
Apenas para você
Mas a
Vida...
Ah, a vida

É melhor mesmo viver
Do que ser feliz
Ah, Vinícius...

Epa! Estemos longe, tia!

A vida
E os bichos
O universo
E eu também
Somos improváveis
Mas existimos
Eu acho

Existirá a
probabilidade?

Duvido da estatística
Duvido do
Conhecimento

Não duvido
Entretanto
Dos meus
Sentimentos

Por que eles
São tudo
Que há em
Mim

O que são os sentimentos?
O que sou?
O que faço?
O que pergunto?

Sócrates
Começa e termina
Toda a história
Da filosofia
E poesia

Só sei
Que nada sei

what's life by Tomáš

Ciência e arte
Filosofia e literatura
Música e Amor e
Vida
Não há regras
Deve-se apenas:

Entrar
Fazer
Sentir
Ser
Estar

Sem restrição
Ou auto-boicote

O artista é a arte
O cientista é a ciência
O filósofo é a filosofia
O amante é o amor

E a vida
É o viver
Caro Schrödinger

(
Não há ensaio
Ku(e)n_dera
Há ação
É o agora
Que existe
E nada mais
E nada menos
Só há o agora
Carpe diem
)

o que importa

Houve um tempo
Em que entendia
O que fazia
E sabia exatamente
Onde chegar

Agora
Apenas forrageio
Pelo espaço-tempo
Não onde
Quando
Ou por quê

Exceto pelo
RESPEITO
Ao ser humano
E ao ambiente
Não tenho mais
Regras

Amar

(
Sinto-me criativo
Mas talvez
Apenas isso
Apenas?
)

Ciência, compreensão

Quando se trabalha
Sozinho
Sabe-se muito bem
O que se faz

Quando se trabalha
Em grupo
Não se sabe muito bem
O que há


Você se entende
Cluster fechado
mas só você

Bolha

Em conjunto
Ninguém se entende
Minúscula é
A Interseção entre
Clusters

A B C D E = o
U U U U / [1]

De qualquer forma
Não há compreensão
Final, única, pronta
Pílula

O conhecimento
Não existe
Não alcançaremos
Nenhuma
Verdade última
Jamais

Condenados
A não entender
Eis a nossa
Cruz

==

[1] A interseção B interseção C interseção D = conjunto vazio

Under-standing?

Nobody
Understand
Somebody
I mean
They understand
Each other
Somehow

I mean
Something
You got
Some other

Understanding
Knowledge
is different
For each-one
And everyone

There is no
Agreement
No common
Knowledge
Shared
Really shared
I think
Between all the
Humankind

And I hope
You haven't understood

Do homem é esta ciência

Assisto a palestra
E escrevo
Aleatoridades
Os outros pensam
Que estudo
E estou super-interessado

Até estou
Mas nem tanto
Observo o
Humano
E o analiso

A ciência de um
congresso
Não é
Apenas a
Ciência

Os assuntos
E estudos
A ciência
Toda ela
É humana

É preciso
Prestar atenção
Também ao
Humano
Ao cientista

Conhecer
Quem faz a
Ciência
É também
conhecê-la
mais a fundo

quarta-feira, 1 de outubro de 2008

Anonírica

Ana querida
você nem sabe
encontramo-nos
esta noite
e vida

festa onírica
antigo sítio da minha avó
Miguelito se apresentou
não pergunte nada
ou diga

você estava estupenda
nem mesmo aqueles 50%
maior dos erros
atrapalharam-nos
remenda

quando nos olhamos
sentimo-nos por completo
e estivemos certos
de nossa unidade
vamos!

nosso primeiro beijo
foi singelo
e apaixonado
certeza de amor perene
eixo

meu peito teu lar
teu mundo meu mundo
cumplicidade e amar
a todo segundo

quinta-feira, 18 de setembro de 2008

Música para o meu crítico

Esse som nem forma tem
Nasce já com um certo receio
Do dedo indicador
Do crítico pirraceiro

A ti criticaria
Se tivesses poesia
E antes de me acusar
Como Clapton já dizia
(Take a look at yourself)

Porque, eu me pergunto
Precisamos dos moribundos
Com seus dedos nauseabundos
A acusar-nos de infecundos
Improfundos ou até imundos

A verdadeira imundice
É nascer carrancudo
E buscar a tolice
Onde só há


REFRÃO
Lá lá lá
Alegria, alegria
Alegria e criatividade
Cantemos à vontade
Nem liguemos pros covardes

terça-feira, 16 de setembro de 2008

Você não sabe

(Tocar dedilhada a primeira parte, variar baixo entre corda A e E, tocar baixo duas vezes como num maracatu meio blues.)
D7/9 Am6
Meu amor, o que aconteceu?
Esse teu tchau, me estremeceu
Meu amor, o que é que te de-eu
Sair assim sem dizer adeus

G6 (baixo subindo de F até G#)
Foi um outro cara ou esta sua
D7M-D7M-D7M-D7M-D7M
ânsia de viver?
G6
Foi o mesmo cara ou você
D7M
sequer sabe porquê

(Toca todas as cordas do acordes juntas e repetidamente, a subida dá uma sensação de agonia)
Eo Fo GoGoGoGo
E o que faço meu sentimento?
Eo Fo GoGoGoGo
E o que faço meu sentimento?


(Sambinha)
Bm C#m
Ah,
Bm C#m
já racionalizei
Bm
Você não leu,
C#m
eu sei
Bm
Não aprendeu,
C#m
meu bem
Bm
E não sentiu também
C#m D#m
Você só sabe se gabar
Bm
E esnobar

(Maracatu)*
E7/9 (variando o baixo entre E e B)
Você não sabe querer
Você não sabe gostar
Você não sabe amar
Você não sabe se dar

Você não sabe querer
Você não sabe gostar
Você não sabe amar
Você não sabe se dar

Você...

Diferente

(Diferente)
Olho para o mundo
E me disfarço de contente
Faço uma bela música
E preciso agora de patente

(Diferente)
Não posso nem mais criar
Em minha aleatória mente
Teoria, ciência e arte
Fazer as coisas livremente

(Diferente)
Diferente é o que me sinto
Quando vejo esse ambiente
De pessoas sempre iguais
Engolindo facilmente

(Diferente)
O mundo está perdido
E falo sinceramente
Chegará rápido o momento
O colapso é eminente

REFRÃO
Meu amigo, se oriente
Não aceite essas bobagens
Que te dizem, francamente
Pense e questione
E me ajude a ir em frente

domingo, 14 de setembro de 2008

Filosofia Rock and Roll

D (rock) D C# C
Já cansei desse projeto que é muito chato
C (rock) C C# D
Já cansei desse horário todo regulado
D (rock) C C# D
Cansei do tudo-isso todo-dia e também do trabalho
C C# D
Do trabalho
C C# D
Do trabalho

Já cansei do lero-lero, do papo furado
Cansei-me da polícia, do prefeito e o deputado
E de ser tratado como um jovem idiota, um pirralho
Um pirralho
Um pirralho

D (rock) D D# E
E um mundo novo agora eu quero criar
E (rock) E D# D
Peço a você que venha já me ajudar
D (rock) D D# E
Vamos minha gente, nossa vida vai ser do caralho
D D# E
Do caralho
D D# E
Do caralho


CHORUS
E (rock) B (rock)
Churrasco todo dia, cerveja, futebol e mulher (paptchuba pa, pará ptchuba)
D (rock) A (rock)
Buteco todo dia, um rango baseado em café (paptchuba pa, pará ptchuba)

B (rock) B C C#
Mais música e arte, sexo e filosofia
C# (rock) C# C B
Uma algazarra com bastante putaria
B (rock) D D# E
Vamos minha gente, nossa vida vai ser do caralho (yeahhhhh)

REPETE CHORUS

quarta-feira, 10 de setembro de 2008

Enquadrado

C
A sociedade não é aberta
F
A novidade
C
Quando eu era pensador, eu não tinha
F
oportunidade

D#
Foi a TV que me salvou
G#
E deus, nosso senhor
F#
Me enquadrei à sanidade
Da sociedade / Da sociedade
F F# G
Da sociedade burguesa
G G F# F
Da sociedade burguesa
F (século 21, hein)

C
Nem lembro o que seria
F
Aquela tal filosofia
C
Ideologia, o que será?
F
Preciso é me calar (shhhh!)
F F# G
(O show já vai começaaaar)

G G F# F F

C
Das idéias me livrei
F
E com Ford me casei
C
Cadê minha liberdade
F F F# G G# G# G F# F E
Eu vivo dentro desta caixa!!

(Toca duas vezes em cada nota, abaixo)
F# G G# G# G F# F F/A
Agora sou um robô-ô
Agora sou um robô-ô
Agora sou um robô-ô
Agora sou um robô-uô-uô-uô

sábado, 6 de setembro de 2008

Amor na caverna

Com a lanterna que procuro
Não é de fato o quê
Quem é, está escuro
Talvez seja você

Que canta-tonta
Sem se dar conta
Esse um pouco / Ritmo louco
De algum sozinho
Carente inconsequente
Careta de carinho

Sei que há
Alguém pra moi
Que encaixa
Não sem embuste
É preciso um ajuste
Pra tampa fechar
Corpo e alma colar
E então só amar (ahhh)

Moça que me escuta
Atenção à letra
Economize-me a labuta
Não hesite, seja maluca
Traga logo sua maleta
E venha comigo cantar

REFRÃO
Não temos tempo a perder (titã)
O mesmo não pára (cazuza)
A música é a vida
E a vida é muito curta
Odara você, odara

segunda-feira, 1 de setembro de 2008

Poema do canto da página

A página acaba
Mas não os pensamentos
Deste poema que fiz
A desabar os sentimentos

Aqui estou sozinho
Desde que larguei meu ninho
Me sinto pequenininhozinho
Agulha no palheiro

Há tanta palha a mover
E na floresta, há o fogo
Da fábula, sou o beija-flor
Mas o incêndio se espalha

Já não sei o que fazer
Ou a quem apelar
Mesmo amor já não tenho
Vou então compositar

Aqui onde cheguei
Já não posso mais voltar
Comprometi a mim mesmo
Ao mundo tentar salvar

Não me passa à cabeça
Nem ao menos suicidar
Só quero o aconchego
Do teu colo a me ninar
A meninar
Amenizar
Amém
Amar

segunda-feira, 25 de agosto de 2008

Umas, novas, idéias

Nossas idéias não agradam
Esse povo tão careta
Vou cantar a liberdade
Que fumemos à vontade

Deixemos que se case
Todo aquele que ama
E deixemos que se mate
Quem já perdeu a esperança

E que também a jovem moça
Possa escolher a hora certa
De virar de vez esposa
E cuidar bem da Roberta


REFRÃO
Olho ao redor, absorto (aborto)
Parece que estou na Ásia (eutanásia)
Que estranha gente é essa
Cegos que não escutam

A verdadeira maldade
É não respeitar a liberdade

Sejamos humanistas, meu bem
Deixemos que se amem também (casamento homossexual)
Se prestarmos atenção
Será legal essa ação (legalização)

A verdadeira maldade
É não respeitar a liberdade

quarta-feira, 20 de agosto de 2008

Canção de quem tudo quer

Quem foi que disse
Que um ser humano tem apenas
Um destino
Uma profissão
Um lugar na sociedade

Por que preciso ser
Como eles querem
Me dizer / Sou livre (porra!)
Para fazer o que quiser

REFRÃO
Eu quero tudo
Eu quero o mundo

E com paciência
Vou escrevendo e tocando
E cantando e compondo
E filosofando também
Enquanto desenvolve
Minha ciência

REFRÃO

Querem me taxar
De uma coisa só
Mas não sou um
Sou vários
Sou um dentro de outro
Boneca russa de mim mesmo
Um infinito

REFRÃO x 2

segunda-feira, 18 de agosto de 2008

Joana

Pobre de meu coração
Onde uma pedra foi cravada
Por sua graça inteligente
E (im)perfeitamente acabada

Depois de tudo isso, tudo aquilo

Já não posso aceitar
Com qualquer outra me deitar
E não consigo evitar
Do virtuosismo buscar

Quem com ela já esteve
(E entendeu o que é isso)
Não mais vai com qualquer uma
Ou se, dada a força dos hormônios
A esse ponto chega
Dia seguinte, olha-se ao espelho
E é devorado pelo vazio
Pelo vazio

Talvez aqui eu tenha vindo
Para da mesma espécie
Um ser buscar
Mas agora já percebo
Que não será fácil encontrar

Do vazio tenho medo
O espelho me devorou
No jogo atual da minha vida
Atuo como zagueiro
Mas espero ainda fazer gol
Depois de um drible sem medida
Pra empolgar toda a torcida

domingo, 10 de agosto de 2008

Sob o eterno brilho da estrela rosa



Quanto mais
o tempo
passa
mais aquela
nossa
história de amor
parece-me
eterna

Lembro dela
grande e formosa
à todo instante
lembro de ser
completo
pleno
um ser de verdade
naquele tempo
em que te
Amei
tanto
e fui
Amado
talvez ainda mais

O amor é
dar
e é também
receber
O amor é
círculo virtuoso
Que se renova
E fortalece
Mais e mais
Os amantes
Porém
só aqueles
que verdadeiramente
Amam
E se entregam
E se dão
E ao outro
Recebem
Tornando-se ainda
Maiores
Supremos

Parece-me ridículo
agora
qualquer motivo
qualquer mesmo
pelo qual te deixei
não existe nenhum
absolutamente alguma
razão
pela qual
eu não devesse
estar com
você
agora
ontem
hoje
amanhã
neste presente
eterno
único tempo que importa

Eu preciso
estar com você
porque
você sou eu
porque
somos um
fomos um
e três
jamais dois

A lembrança
daquele nosso
Amor
é a mais bela imagem
simbólica
transcendente
que tenho desta
palavra ou conceito
irrepresentável
aqui
ou em qualquer outro
lugar
em qualquer outro
tempo

O verdadeiro
Amor

Expande
Espaço e tempo
Ele está fora
Destes modos
de apreensão
tão falsos
tão racionais
tão pé-no-chão
o Amor
que tivemos
um pelo outro
transcende
qualquer experiência
que possa
ser descrita
neste manco
alfabeto
capenga
ele está além
de qualquer
linguagem
ou modo de representação

Ele transcende

Nosso Amor está perdido
e guardado
num lugar
mágico
deste universo
ele será eterno
e jamais
desaparecerá

Onde está você
Que não aqui do meu lado
Que não perto de mim
Você tem outro
que sabe que não
Ama
(Eu acho)
Por isso me procura ainda
Eu tive outras
Que até amei
que não Amei
Não
que não
Amei

Não seremos felizes
Enquanto não estivermos
Juntos
Posto que o que tivemos
Foi maior que o mundo
Mais longo que o tempo desde
A grande explosão
E ainda há de durar
E durar
Sabemos muito bem

De vez em sempre
Penso em você
Em nosso amor
Em nosso sexo também
Completo, repleto
Um reflete o outro
No espelho da poesia
E vejo você
Quando olho para mim

Precisamos
ficar juntos
ou viveremos
sempre
à sombra
do que foi
aquele nosso
Amor
Atemporal
Aespacial
Inumano
Sem ser
ou estar
sem extremo
sem meio
e sem fim
sem moral
sem conceito
sem dor
sem nada
que não fossem
dois corpos
e um sentimento
recíproco
que a tudo englobava
infinito
eterno
grande
garboso
forte e
pomposo
um ser
etéreo
totem
indestrutível
e vigoroso
foi aquele
nosso Amor
E ainda é
E sempre será

Nosso amor
Eu o sinto agora
Anos já passados
Ele me engrandece
como ser humano
Foi ele
que me fez poeta
e a ele
devo toda minha
vida

Preciso de você
E daquele nosso amor
Ou vagarei
a esmo
por onde quer
que eu vá

E não sei porque
continuo procurando
em outros lugares
outras mulheres
algo que sei
muito bem
onde está

Estará mesmo
com você
comigo
dentro de nós
isso que procuro
isso que uma vez
já encontramos
e que marcamos
com toda certeza
na infinitude
non-sense
deste universo
?

Seremos capazes
de recuperá-lo
e engrandecermo-nos
além do sol
e das estrelas
antes e depois do
tempo
mais uma vez
como um dia já fizemos
?

Temo que não
Espero que
Sim
Yes
Oui
Espero que sim!
Espero que sim!
Espero que sim!
Ah, como espero...

segunda-feira, 4 de agosto de 2008

O humanismo nos tempos modernos


O poeta capitalista
tem pressa
de chegar
a nenhum lugar

O tempo moderno
Nãonão perde tempo
Anda, marcha, corre
E ciao
Ficamos para trás

Corremos sem orelhas
Rainhas vermelhas
Fechamos os olhos
Ajeitamos os antolhos

Eu não!

O sentimento
no melhor
Sentido
da palavra
Não pode estar!
associado
Ao mundo
capitalista

Hollywood não ama ninguém

E é por isso
Que
não
não
mil vezes não
não sou capitalista
E é por isso
Que eu te digo
que o capitalismo
tem que mudar
Eu disse
mudar
Eu não disse
Morrer

O capitalismo social
É a saída para o mundo
O capitalismo ambiental
É a saída para o mundo

Alguém me ajudará a tirar
os antolhos
desta gente?

A desigualdade social entre
indivíduos
nações
continentes
e mundos e planetas possíveis
perto ou longe
é a raiz de todos os problemas
sociais
que consigo imaginar
(mas sou um ser bem limitado)

Gore argumenta
O capitalismo socioambiental
É rentável
Dá dinheiro
Dinheiro
Essa coisa
Horrorosa
Que eles adoram
E só o capitalista burro
(Provavelmente a maioria)
É que ainda não percebeu

Socioambientalismo já!

Gaia já não aguenta
Tanta emenda, remenda
Imunda, inunda e catástrofe
E morte e destruição
E guerra e fome e exploração
E injustiças
Injustiças
tão grandes
Tão
Grandes
Isso é muito difícil ver
Acontecer
Pela janela
Ali do lado
Aqui
do lado
E achar
normal
ah, bom

Sorte é que a gente
Tem
Ainda bem
O samba
A bossa
O jazz
O rock
O blues
Pra escutar
O golo
Pra tomar
O pito
Pra pitar
E as muié
Pra amar
Amar demais
Demais
tem que ser
Demais
pra valer a pena
Viver
nesse mundo
cão

E tenho
apenas
uma única coisa a
Acrescentar
Permita-me uma
correção de caráter
Secular
filosófico
e alegórico
O homem
é o lobo
sim
caro Hobbes
dele mesmo
mas adiciono
o homem é o lobo
e também a lebre
do próprio homem

Carpe diem!

domingo, 27 de julho de 2008

Poesia de um jovem intelectual

A gente
Tem uma ansiedade
De viver
E de conhecer
E de mudar
E de aproveitar esse mundo
E essa vida
Que é uma só
E tem que ser vivida
Com emoção
Com muita emoção

E tem também as coisas interessantes
O conhecimento
A filosofia
A música
A arte
E a ciência
Que a gente tem fome
Muita fome
Gourmands intelectuais
A gente quer abraçar o mundo
E tudo saber
Entender
Compreender
Amar e odiar
O ser humano
E tudo que dele provém

Mas
Sei lá
As vezes a gente
Não precisa
Disso tudo não
E consegue
Até pensar
Numa vidinha tranqüila
À beira de um rio
Matas com árvores ao redor
O sol brilhando gostoso
Com um amor ao lado
E sem querer
Saber
De mais nada
De mais nada

E só quando chegarmos nesse ponto
É que seremos verdadeiros
E melhores poetas
Posto que a poesia
É um estado de graça
É um lugar sem tempo
Um tempo sem lugar
É o viver
E o ser
É carpedienar

quinta-feira, 26 de junho de 2008

Love and life and meaning

She writes to me
I write to her
She != her
One people wants
other

We are algorithms of
Love
Biologically programmed
by thousands of years of
modification by
ascendance
Evolution, if you prefer

But other wants
another
Love is a
Weird game
And then
They don't get
together
The lovers
Why not?
And so
They marry
Someone they
don't love
Why these crazies?
Because, you know
One
has to
marry
The society
says
Society
Screams
Loud to our ears

Not to mine!
I won't marry
Someone I don't
Love
I'm deaf
For this society scream
Maybe
I listen others
But not
this one
It seems she's
not deaf
And she'll marry
J. Pinto Fernandes
That haven't been
In this
Love story
Ever before

She'll be maybe rich
Money
She'll be maybe poor
Feelings
Her willing of
living
won't be
that big
And she'll be
a boring person
Because she didn't
live
a full-bright
exciting
light
life
love
complete
full being

She was afraid
and the fear
conducts you
to the dark side
of Force
In the star wars
In the earth wars
In the life wars
Yoda is master

Don't sell
Babe girl
your dreams
so cheap
darling
Don't marry J. Pinto
Don't marry anyone
You don't
Love
Don't be fool
Live is only
this one
It is unique
Feel it
Live it
Don't leave it
Love it
Enjoy it
Marry it
Instead of Jay

You'll be a millionaire
Feeling
You'll be very poor
Money
But when you'll be dying
I assure
you won't regret

Love gives
Life
the strongest
Meaning

quarta-feira, 23 de abril de 2008

nadanadanada

A folha branca e tingida
Olha para mim, ansiosa
Almeja ser preenchida
Com poesia garbosa

Mas eis que nela não há
Nada nada, na danada
Coisa alguma se passa
Nesta cabeça devassa

A folha me olha
E seu olhar retribuo
A mesma questão
Anda daqui para lá
E também em reverso
O que farei?
O que fará?
Nada me vem, nada me dá

Nada na danada

Chove e lá fora
A folha se molha
Seu molhar retribuo
A mesma umidade
Recuo uma unidade
Avanço uma idade
Esvai-se a vontade

Na danada nada

Olho ao lado
Não estou no clima
Falta-me a inspiração
E também a rima
Onde andarão?

Nada nada nada

Talvez visitem, num rompante
Mente, corpo e letra
De outro poeta eminente
Que agora passa facilmente
Por um verso cortês
Critica o porco burguês
E se faz assim galante

Talvez voltem, talvez não
Rima, inspiração
E aquele estado que vem
Quando poesia fazemos e
Sentimos e
Somos e
Nos entregamos e
Explodimos e
Expressamos e
Vivemos e
Amamos e
Ficamos plenos do estado
Que caracteriza
Assim tão bem
Esse curioso
Ser humano

segunda-feira, 21 de abril de 2008

Na palestra

A garota de óculos
Que vem do Irã, talvez
Finge que presta atenção no inglês
Mas vira de lado
Faz boquinha de ósculo
E confere se eu
Tarado, a confiro

Confiro sim posto que
É linda e tem no rosto
Charmosa pinta

Agora não mais me olha
Pescoço à frente
À palestra, finge que adora
Mas sei que o meu olhar
Mesmo de costas, ela sente
(Pela pose se percebe)

Continua com o desdém
Terá me esquecido?
Ou fingirá à outroguém
(Que a percebera em torpor
Interessada, mas não na ciência)
Que não realiza a caçada
Por um grande amor

Ora, todos sabem e vêm
Que para a mulher
Não há maior bem
Do que imaginar alguém
Para se ter um neném

And if you want to
You can dream on me
Já diria o Rolling Stone

domingo, 17 de fevereiro de 2008

Aprendigosto

Querer aprender é querer viver
E o desejo de saber
Coisas novas
Me faz levantar cedo
E bem disposto
Todo santo dia
A fim de recolher
Sem medo e com gosto
Além de ousadia
A qualquer momento
Retalhos esparsos de todo-e-qualquer conhecimento

Ainda tenho, minha gente
Muito a aprender
E esta mente
Quiçá garbosa
Está sempre ansiosa
Por outros memes
Apreender
Agora-agora, imediatamente
Sempre mais e mais
E-mais-e-mais-e-mais-e-mais-e-mais-e-mais-...
Até que o leme
Desta frágil nau de sobrevivência
Que sou
Se desgastar completamente
Quanto então
Meu contínuo corpomente
Ego, self, íntimo, mesmo, ser senciente
Irá, infeliz e irreparavelmente
Naufragar...

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2008

A loira / no carro / atrás de mim

É linda
Mas não tem
A menor paciência

Quando a vejo
Pelo retrovisor
Sei que está me ver
Mas em seu rigor
De mulher
Que se dá -- excessivo -- valor
Finge que não (me quer)
E olha para cima
Sem humor
Como quem pensa
Se irá chover
Faz pose de menina
E sem pudor
Mais uma vez
Dedo na buzina

Ô loirão,
De olhos castanhos
E pele branca
E nervos de antanho
Pare de reclamar
Deixe de botar banca
E venha logo
Me amar!

Se ficas comigo
(Sou o cara ideal)
Dar-te-ei amor e abrigo
E se ficas calminha
Ganhas até
Beijo no umbigo
Do contrário
Receberás um sexual
(Misterioso e delicioso)
Castigo
Vais gostar!

Ô loira,
Não te irrite
Veja o samba
Escute a paisagem
Não acerte a caçamba
Que lhe faço uma massagem

Ô loirinha,
Deixa disso
Desse barulho
INFERNAL
E vem me amar

Ô loirinha-zinha,
Se te buzino
Vens me amar?

domingo, 13 de janeiro de 2008

Lembranças de um banguela

Não ter
o último dente
facilita
na hora de passar
o fio
mas o sorriso
mesmo quando esguio
sem o ciso
fica indiferente
agora sou
cosmopolita

Em minha boca
há um buraco
e minh'alma
se mantém ardente
borbulha
com a lembrança
agora oca
que atravessa o oceano
neste início de ano
e viaja da França
até meu barraco
lá na Pampulha

Sem lar
Sem amigos
Sem amor
Sem dente

Não terei
portanto
por ter sido
prudente
problemas bucais
mas serei
no entanto
acometido por
problemas menos
banais
mais mundanos
esses da mente
que vive e sente
sofre
e tem tanta

saudade

daqueles tempos
veementes
antes e depois
onde eu tinha
os amigos
e amores
e o lar
e todos
os trinta e dois
dentes

quarta-feira, 2 de janeiro de 2008

O umbigo e a foda, de um ponto de vista social

Sou pacifista
e tento compreender
as pessoas
mesmo quando elas
fazem merda
talvez seja um problema
social
psicológico ou sexual
e a tal
da pessoa
seja mesmo sofrida

coitada, é sério
é preciso ajudar os outros
entendê-los
ninguém ---entende---> ninguém
(me entenderá, você?)
nem ninguém
quer também
entender
alguém
quem?
eu nem...
deixa pra lá

cada um só vê
vou continuar
perigo
o seu próprio
e notório
ilusório
e bem-cuidado
umbigo
umbigo
umbigo
lindo e resplandecente
com óleo de amêndoas
indecente
indecente mesmo
com ou sem piercing

continuo o falatório
e só digo que é aí
amigo
no centro
do meio
do olho
do umbigo
dessa galera
escrota
à beira
da bancarrota
que não tá nem aí
e que não tolera
um umbigo
que não seja
o seu

é bem ali
no umbigo
deles
todos
castigo
que a sociedade se fode
que você se fode
que eu me fodo
e que os pobres, coitados
se fodem ainda mais
porque na
conjugação
em bom Português
do verbo fuder
atenção
eles foram
contemplados
ovação
com a maior
das honrarias
que emoção
e nem se sentem
agradecidos
com razão
por isso
diz, bocejando
quem olha
pro seu umbigo
em adoração
e tem raiva
deles
a multidão
por essas
e outras

e o engraçado
meu irmão
é que quem
é o culpado
dessa merda toda
é o próprio
filho da puta
do reclamão

olha...
nem adão
que é adão
(em minúsculo
porque não
gosto mesmo
definitivamente
de religião)
devia ter
esse problema
mas também
nem teve mãe
como a gente
coitado
e é apenas uma lenda
falsa e
sem umbigo
do homúnculo
o emblema

todo mundo
é assim
improfundos
não, porra nenhuma
mas são esses
que fodem a gente
infecundos
no mau sentido
um dia, quem sabe
nós
os imundos
é que
iremos fudê-los
bem no fundo
mas dessa vez
no bom sentido
jucundos
e eles podem
quiçá
até gostar, e
pensabundos
podem quer mudar
e ficarem de boa, galera
num átimo de
segundo
e podem nos deixar
finalmente
sermos felizes
e vagamundos

e então
a gente
vai poder
ficar se
fudendo
no bom-ótimo-excelente
sentido
indo e vindo
todo mundo
em comunhão
sexual
carnal
e social
que tal?
parece legal!
meio surreal

o problema
do mundo
desde
jerusalém
é que uns
fodem
os outros
(sem vasilina)
mais do que
os outros
fodem
os uns
e bem
no fundo
verdade seja dita
todo mundo tinha
mais
era que
se fuder
igualmente
pois também
a fuderola
deveria ser
democratizada
e além
disso tudo
imaginar
um mundo
onde
ninguém ---fode---> ninguém
é uma utopia
(no mau sentido)
Rousseau discordaria
ou uma sem gracice
(no bom sentido)
enorme
pro meu gosto
Sade concordaria
escutem

vamos ficar de boa
galera
é isso aí
fodamos
e sejamos fodidos
metaforicamente
(ou não
pra quem gosta)
sempre com carinho
e tentemos entender
que
quando
alguém
faz
uma merda
mesmo das grandes
as vezes
a culpa
nem é deles
sei lá
é isso
boa noite
a vida
tem sempre
a razão
eu acho...