Não racionalize
vc me pede
Mas sou herdeiro
De Descartes
Todos somos lógicos, rôbos
cálculos e circuitos integrados
Mente ali, corpo aqui
Não era a deus que pertencia o futuro?
Agora vens me dizer que pertence a mim
A mim? Eu que o faço?
Maldita seja vc
e toda essa sua corja de ateístas-hedonístas
maldito seja Sartre
a nos dizer
essas verdades
tão convincentes
Talvez fosse melhor
ficar com aquela entidade-brinquedo
inócua, idiota, irresponsável
Eu existencializo
Se meu destino, eu
Faço
Levo regras em consideração
Exemplo: a distância
qu'ela estará de mim
Nos próximos dois
Anos, Terra, Sol, duas voltas
Não vou Amar
Através do Atlântico
É muita água
Espero
que isso não dê em nada
E temo
que isso não dê em nada
E não quero
que isso não dê em nada
E mais uma vez
Temo
Pego cordas e prendo ao chão
meus pés
Eles querem voar
e eu quero deixá-los livres
Mas haverá a bosta
do Atlântico
Nunca gostei de mares
agora entendo por quê
Gosto apenas de rios
Mais corda! Mais corda!
Correntes! Há âncoras ao redor?
Alguém pode amarrá-los, por favor?
Não sei dar bons nós e
mesmo que soubesse
não conseguiria
Aperte ao máximo
Obrigado
Aproveite e diga-a que suma
desapareça, escafeda-se
Não me procure
não m'encontre
e não me esqueça
negarei até o fim que te pedi
para fazê-lo
Logo agora que vou-me embora
terá de ser sempre assim?
Oh, Doralice
Oh, Caymmi
"como é que nós vamos fazer?"
segunda-feira, 23 de março de 2009
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