é uma ilusão querer esgotar o universo, explicá-lo totalmente
sintetizar todo o universo em meia-dúzia de regras, isso é impossível
o universo é mais complexo do que sequer podemos imaginar
em todos os seus níveis
da mesma forma que não conseguimos imaginar o muito pequeno ou o muito grande
não conseguimos sequer imaginar o muito complexo
e temos a impressão de compreendê-lo ainda que de forma tosca
ou utilitariamente perfeita
a ciência é feita por seres naturais
de cérebros adaptados ao forrageamento nas savanas africanas
que não são capazes de compreender muito bem
o que vai na escala do minúsculo ou do enorme
ou do complexo
jamais esgotaremos nosso conhecimento sobre o universo
e se alguém, algum dia pensou isso
que agora reflita melhor
e conclua que é melhor esquecer esta antiga idéia
a ciência vai muito além da descrição, ela cria uma mitologia
explicativa que se adequa de forma razoável aos dados observados
a ciência é uma mitologia com base empírica
e esta sua base mutante leva constantemente à revisão da própria mitologia
e a uma nova readequação dos fatos
a ciência é uma forma extremamente interessante de estudo cultural
a ciência é humana de certa forma, há um consenso
há acordo sobre a interpretação das bases empíricas
o dna como código da hereditariedade
mas sabemos que não é só isso
ainda há muito que se descobrir entre os detalhes
infinitos detalhes explicativos
ciência é expressão cultural
podemos ver ali nossos ideais
nossos sonhos, nossos mitos
nosso eterno maravilhamento diante do desconhecido
e nossa angústia em buscar explicações para tudo
está ali também nosso senso de hierarquia
sendo uns melhores que outros
aprendizes e professores
está aí nossas diferenças sociais
em nossos mais prestigiosos journals
escritos sempre em inglês
está ali também a maquiavélica aliança
dos fortes contra os fracos
dos fortes entre si
não existe simplesmente o diálogo em busca do conhecimento que o
empreendimento científico supostamente diz acontecer
as pessoas são presas às suas próprias idéias
e não querem aprender coisa alguma
pois pensam, coitados
que tudo já sabem
mas não sabem, nem jamais saberão
mas nem por isso devemos parar
ah, isso não
devemos alcançar como cientistas
o desejo maduro de entender o universo
da melhor forma possível
mas devemos estar cientes
de que jamais alcançaremos o entendimento
a ciência é uma trajetória
não uma chegada
uma meta
evoca um mistério
que não desvendaremos nunca
mas que devemos sempre
continuar cultivando
====
Poema (?) inspirado em uma coluna televisiva de Arnaldo Jabor.
quinta-feira, 19 de novembro de 2009
quinta-feira, 29 de outubro de 2009
Ode à ciência e ao cosmos
Como pôde, ó homem
Criar toda essa ciência
Esses modelos
Toscos
Modelos
que tanto assim explicam
Como puderam, os senhores
Limitados, injustos
Podres
Nogentos
Fazer tão bom uso das
informações que lhes forneci
Não sou e não existo
Mas tu que és e existe
Deu-te sede
ou pulaste
Criaste um novo tipo de organismo
a evoluir contigo
Transformas-te assim
a informação
e sua história
criaste um novo ente, ser
Mente
Idéias
Serão do homem ou virão doutros
organismos mais antigos
quando?
Em simbiose com ele, novo ente
meme
foste assim
tão longe
ou, por outro lado,
tão longe
Conhecimento e opressão
A ordem que existe
e que pode ser compreendida
ainda que infimamente
por nossos corpomentes
através destes toscos
Modelos
Toscos
É da mais magnífica
soberana
justa
e incompreensível
Beleza
Ci En Ci A
===========
Cosmos
Ordem
Beleza
Caos
Caoos
Caooosos
Caosoidaoido
Caidoajdskjdhflajiod
Cajksdokçahshvchjklavclkqpiop
Cjdkljfqiopjfdakljgklçsjadklgjaklisjgklqjoip
Em todo caos
Há uma ordem
escondida
========
Ou será que não?
Criar toda essa ciência
Esses modelos
Toscos
Modelos
que tanto assim explicam
Como puderam, os senhores
Limitados, injustos
Podres
Nogentos
Fazer tão bom uso das
informações que lhes forneci
Não sou e não existo
Mas tu que és e existe
Deu-te sede
ou pulaste
Criaste um novo tipo de organismo
a evoluir contigo
Transformas-te assim
a informação
e sua história
criaste um novo ente, ser
Mente
Idéias
Serão do homem ou virão doutros
organismos mais antigos
quando?
Em simbiose com ele, novo ente
meme
foste assim
tão longe
ou, por outro lado,
tão longe
Conhecimento e opressão
A ordem que existe
e que pode ser compreendida
ainda que infimamente
por nossos corpomentes
através destes toscos
Modelos
Toscos
É da mais magnífica
soberana
justa
e incompreensível
Beleza
Ci En Ci A
===========
Cosmos
Ordem
Beleza
Caos
Caoos
Caooosos
Caosoidaoido
Caidoajdskjdhflajiod
Cajksdokçahshvchjklavclkqpiop
Cjdkljfqiopjfdakljgklçsjadklgjaklisjgklqjoip
Em todo caos
Há uma ordem
escondida
========
Ou será que não?
segunda-feira, 23 de março de 2009
Doralice, eu te digo
Não racionalize
vc me pede
Mas sou herdeiro
De Descartes
Todos somos lógicos, rôbos
cálculos e circuitos integrados
Mente ali, corpo aqui
Não era a deus que pertencia o futuro?
Agora vens me dizer que pertence a mim
A mim? Eu que o faço?
Maldita seja vc
e toda essa sua corja de ateístas-hedonístas
maldito seja Sartre
a nos dizer
essas verdades
tão convincentes
Talvez fosse melhor
ficar com aquela entidade-brinquedo
inócua, idiota, irresponsável
Eu existencializo
Se meu destino, eu
Faço
Levo regras em consideração
Exemplo: a distância
qu'ela estará de mim
Nos próximos dois
Anos, Terra, Sol, duas voltas
Não vou Amar
Através do Atlântico
É muita água
Espero
que isso não dê em nada
E temo
que isso não dê em nada
E não quero
que isso não dê em nada
E mais uma vez
Temo
Pego cordas e prendo ao chão
meus pés
Eles querem voar
e eu quero deixá-los livres
Mas haverá a bosta
do Atlântico
Nunca gostei de mares
agora entendo por quê
Gosto apenas de rios
Mais corda! Mais corda!
Correntes! Há âncoras ao redor?
Alguém pode amarrá-los, por favor?
Não sei dar bons nós e
mesmo que soubesse
não conseguiria
Aperte ao máximo
Obrigado
Aproveite e diga-a que suma
desapareça, escafeda-se
Não me procure
não m'encontre
e não me esqueça
negarei até o fim que te pedi
para fazê-lo
Logo agora que vou-me embora
terá de ser sempre assim?
Oh, Doralice
Oh, Caymmi
"como é que nós vamos fazer?"
vc me pede
Mas sou herdeiro
De Descartes
Todos somos lógicos, rôbos
cálculos e circuitos integrados
Mente ali, corpo aqui
Não era a deus que pertencia o futuro?
Agora vens me dizer que pertence a mim
A mim? Eu que o faço?
Maldita seja vc
e toda essa sua corja de ateístas-hedonístas
maldito seja Sartre
a nos dizer
essas verdades
tão convincentes
Talvez fosse melhor
ficar com aquela entidade-brinquedo
inócua, idiota, irresponsável
Eu existencializo
Se meu destino, eu
Faço
Levo regras em consideração
Exemplo: a distância
qu'ela estará de mim
Nos próximos dois
Anos, Terra, Sol, duas voltas
Não vou Amar
Através do Atlântico
É muita água
Espero
que isso não dê em nada
E temo
que isso não dê em nada
E não quero
que isso não dê em nada
E mais uma vez
Temo
Pego cordas e prendo ao chão
meus pés
Eles querem voar
e eu quero deixá-los livres
Mas haverá a bosta
do Atlântico
Nunca gostei de mares
agora entendo por quê
Gosto apenas de rios
Mais corda! Mais corda!
Correntes! Há âncoras ao redor?
Alguém pode amarrá-los, por favor?
Não sei dar bons nós e
mesmo que soubesse
não conseguiria
Aperte ao máximo
Obrigado
Aproveite e diga-a que suma
desapareça, escafeda-se
Não me procure
não m'encontre
e não me esqueça
negarei até o fim que te pedi
para fazê-lo
Logo agora que vou-me embora
terá de ser sempre assim?
Oh, Doralice
Oh, Caymmi
"como é que nós vamos fazer?"
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