O mineiro
Acordou faceiro
Numa manhã de Janeiro
Talvez Fevereiro
Olhou no relógio
E pensou num afã
São trêis da manhã:
Trêis da manhã é bão também
Hora de me levantá
Comer o pão
E pegar o trem
Pra í trabaiá
E ganhá meu vintém
O mineiro
Roceiro
Levantou
Comeu o pão
E cedo chegou
Na estação
Penseiro
Para pegar o trem
E cumprir a tradição
Trabalhou
O dia inteiro
O mineiro
Marceneiro
Trabalhou
Ao fim da tarde
Voltou pra casa
Bebeu cachaça
Comeu queijo
À mulher
Deu um gracejo
E à criança
Um beijo
Bebeu mais cachaça
Comeu mais quêjo
Fumou um pito
Cuidou do bicho
Cão de caça
Não de raça
Na manhã seguinte
Acordou novamente faceiro
O mineiro
E foi trabaiá
Pra mó de sustentá
A muié e o fio
Anos se passaram
E foi essa a rotina
Do mineiro de Diamantina
Que abusava do álcool,
Da nicotina
E da muié
Para viver aqueles amargos dias
De gente da ralé
sábado, 22 de dezembro de 2007
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